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Sobre o Paraná Clube, a Arena e o Preço dos Ingressos

Na última quarta-feira o Paraná Clube, ao mandar seu jogo contra o Internacional na Arena da Baixa, não só quebrou o recorde de público do estádio em partidas de futebol e conquistou sua maior renda da história, como também trouxe a tona uma importante polêmica sobre o valor dos ingressos e a elitização do futebol.
O futebol brasileiro vive uma europeização desde o início do século XXI, nossos estádios viraram arenas, os campeonatos passaram a ter os mesmos formatos dos Europeus, e há ainda quem defenda que devemos ajustarmos as temporadas da América do sul as europeias, com início no meio do ano.
Muitas dessas ideias ganharam força pois eram vistas como uma alternativa para se combater a violência nos estádios, um grande problema na década de 90. O conceito era simples, elitizar o estádio acabaria com a violência, assim precisávamos construir arenas modernas, com uma gama de serviços agregados, para torna-las atrativas para classe média e média alta, e essa modernização justificaria o aumento dos preços dos ingressos afastando as classes mais baixas dos estádios.
No que diz respeito ao combate a violência nos estádios essa política se mostrou falha, somente na em 2017 só na primeira metade da temporada 12 pessoas perderam a vida em confrontos entre torcidas, ou entre torcidas e polícia, a temporada 2016 teve ao todo 13 mortes.
Outro aspecto utilizado para justificar os preços altos nos ingressos, é necessidade de aumentar a arrecadação dos clubes, inclusive foi esse o argumento utilizado por Mario Celso Petraglia em resposta a críticas recebidas da torcida após o jogo do Paraná, segundo ele é preciso cobrar caro para que a arrecadação mantenha a estrutura do time, e foi justamente esse o argumento que o jogo do Paraná Clube mostrou a todos que também é falho.
No jogo realizado na arena, dentre os preços praticados pelo Paraná Clube, o ingresso mais barato era de R$60,00, porém todo torcedor que fosse com a camiseta do clube teria o direito de pagar meia-entrada. Desta forma ao colocar 39.414 torcedores no estádio, o Paraná não só quebrou o recorde do estádio, mas alcançou uma renda de R$ 1.224,666,00, a maior da história do Paraná Clube.
A arrecadação deste jogo é muito maior do que a média do Atlético neste ano, na Libertadores, competição em que o clube teve a maior média de arrecadação o valor é de R$ 623.144, se levarmos em conta só os jogos da Série A a média atleticana cai para R$ 282.590. A única vez no ano que o Atlético atingiu uma renda superior ao jogo do Paraná em 2017, foi no jogo contra o Flamengo pela libertadores onde teve uma renda de R$ 1.588.815 com um público de 33.463 torcedores.
Podemos ver então, que a prática de preços altos nos estádios de futebol brasileiro, não diminuiu a violência nos estádios e nem incrementou a renda dos clubes, a única função que cumprem é afastar da grande maioria dos trabalhadores a oportunidade de assistir jogos de seu clube do coração, tornando os estádios espaços elitizados, o processo de padronização do futebol brasileira busca europeizar arquitetura dos estádios, o estilo de jogo, o calendário e também o publico que assiste.
Nesse sentido o Paraná Clube deu uma lição a todos os grandes clubes brasileiros, mostrando que nem do ponto de vista econômico a elitização do futebol se justifica, e mesmo que como atleticano me doa admitir, o Paraná Clube tem neste momento, mais do qualquer outro clube, o direito de auto-proclamar “O Time do Povo!”.

 

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Vinicius Prado

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