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Atletiba histórico enfrenta a Globo, mas não é pelo futebol!

O dia 1 de março de 2017 ficará marcado na história do futebol paranaense e brasileiro, pois pela primeira vez, duas equipes (as mais tradicionais do estado) além de não fechar contrato com a Globo pelo direito de transmissão, ainda ousaram organizar elas próprias a transmissão do maior clássico do estado pela internet, de maneira gratuita através de suas redes sociais.

Para que se chegasse a realização do jogo neste dia 1 de março, primeiro os clubes tiveram que vencer uma queda de braço com a Federação Paranaense de Futebol, que em defesa dos interesses da RPC/Globo emissora com a qual a federação e os demais clubes do campeonato possuem contrato, cancelou o jogo que deveria ser realizado no dia 19 de fevereiro, cancelamento feito apenas após as duas equipes terem entrado em campo e com os mais de 20 mil torcedores presentes no estádio.

A atitude de Atlético e Coritiba foi reverenciada pelos quatro cantos do país, de norte a sul os comentários de torcedores eram de que finalmente os clubes começaram a enfrentar a poderosa globo, que monopoliza a décadas as transmissões de futebol obrigando os clubes a jogarem em horários que prejudicam seus torcedores para garantir uma maior valorização de sua programação.

Os discursos dos dirigentes dos dois clubes reafirmavam essas posições, pois ambos afirmavam que “chegou a hora do basta”, que “os clubes são os protagonistas e que eles devem decidir”.

Porém a atitude de Atlético e Coritiba em enfrentar os interesses da poderosa Globo, em nada tem haver com a defesa dos interesses do futebol, ambos os clubes estavam apenas preocupados na defesa dos seus interesses comerciais. O não acerto com a RPC/Globo não ocorreu devido a defesa de uma concepção diferente sobre a venda dos direitos de transmissão dos jogos, não ocorreu apenas por uma falta de acordo de valores, a emissora não aceitou pagar o valor pedido pelos clubes, tivera aceitado pagar o valor pedido pelos clubes todo esse “enfrentamento” não haveria existido.

Atlético e Coritiba históricamente brigam por uma melhor distribuição das verbas de direitos de transmissão nos campeonatos nacionais, onde os clubes do eixo Rio-São Paulo concentram a maior parte dos valores. Porém, no campeonato Paranaense, onde estes são os maiores clubes do estado nunca propuseram uma distribuição mais justa das verbas.

A preocupação dos dois clubes não era com o futebol, com a falta de condições que sofrem os clubes do interior, e nem com o fato de que os demais 10 clubes do campeonato paranaense receberiam menos que o Macaé no campeonato carioca, com todo respeito ao Macaé ele não pode valer mais do que quase todo o campeonato paranaense.

Portanto, não podemos negar que o fato de Atlético e Coritiba enfrentarem a globo seja positivo, principalmente pelo fato de ter colocado em destaque a discussão sobre as desigualdades na venda dos direitos de imagens dos clubes. Porém a maneira como este enfrentamento está colocado não levará a uma distribuição mais igualitária das verbas de transmissão, a dupla Atletiba apenas realizou um grande movimento a seu favor na queda de braço entre clubes e televisão na busca de maiores valores.

Ao contrário do que muitos dirigentes afirmaram, os protagonistas dos futebol não são os clubes e sim os torcedores, não há clubes sem torcedores, não há verba de transmissão sem torcedores, não há renda para os clubes sem os torcedores.

Assim, se a preocupação dos dirigentes, e não só de Atlético e Coritiba é o futebol, que tal começarmos também a discutir formas de os torcedores terem maior controle sobre os clubes, até quando vamos ter clubes que arrecadam milhões devido a sua massa de torcedores serem controlados por meia dúzia de “conselheiros” que se alternam no poder sem ouvir os torcedores?

Vinicius Prado

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